Cachoeira já é notícia em Portugal

O caso do Cachoeira começa a dar notícia até do outro lado do Oceano.

do jornal Público Português

O caso do bicheiro que chegou a Brasília e agita o Brasil

09.05.2012 – 15:46 Por Alexandra Lucas Coelho, no Rio de Janeiro

O senador Demóstenes Torres é acusado de ter mentido, quando disse que a sua relação com Cachoeira era só de amizade Nenhum nome tem feito tanto ruído no Brasil como o de Carlos Augusto Ramos, aliás Carlinhos Cachoeira, um bicheiro que está a ser acusado de “corrupção, peculato, formação de quadrilha armada e vazamento de dados sigilosos” e à hora de fecho desta edição continuava numa cela do Rio Grande do Norte.

Tradicionalmente, os bicheiros são os praticantes de jogo do bicho, apostas ilegais mas populares há mais de um século. O negócio de Cachoeira é mais moderno: slot machines ou, na versão brasileira, máquinas de caça-níquel, também ilegais no país. E implica uma complexa rede de influências que abrange o Senado, multiplicada em manchetes de jornais e revistas, transcrição de escutas, revelação de vídeos em restaurantes cinco estrelas e mesmo entrevistas com a jovem namorada do bicheiro, entretanto convidada para posar nua na Playboy – ela recusou.

Este é o Brasil de Carlinhos Cachoeira. Começa em Goiás (estado no centro do Brasil), com a exploração das máquinas de moedas ao longo de quase 20 anos e chega a Brasília com a ligação ao senador Demóstenes Torres, então no partido DEM, agora sem partido. Pelo caminho veio ao de cima um braço carioca do escândalo: as relações entre Cachoeira e a construtora Delta, campeã de contratos com o governo do Rio de Janeiro. E (pela mão de um inimigo político, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho) apareceram vídeos do actual governador Sérgio Cabral em viagens luxuosas a Paris e Mónaco, na companhia do dono da Delta, Fernando Cavendish, respectivas mulheres ou acompanhantes e membros do gabinete de Cabral.

O escândalo Cachoeira rebentou a 29 de Fevereiro, quando a polícia prendeu o bicheiro e desarticulou uma quadrilha de cerca de 80 membros, metade dos quais funcionários públicos, incluindo polícias. A 25 de Abril iniciou-se uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), oficializando a extensão política do caso. E ontem a Comissão de Ética do Senado decidiu por unanimidade abrir um processo contra Demóstenes Torres, considerando que ele mentiu ao dizer que a sua relação com Cachoeira era só de amizade, que nada recebeu do bicheiro e sempre militou contra os jogos de azar.

Análise do polvo

“É o caso de um empresário que usa suas relações políticas para se dar bem nos negócios”, relativiza ao PÚBLICO Ilimar Franco, analista do jornal Globo em Brasília. “Um empresário que fez lobby no Congresso, ao lado de outros, para legalizar os casinos no Brasil. Foi apanhado em pleno voo, pois o seu maior poder de fogo é no estado de Goiás, cuja importância política é periférica. Ele estava tentando abrir as portas em Brasília e no Rio de Janeiro, via Fernando Cavendish e a construtora Delta. Mas foi abatido na subida.”

Marcelo Beraba, editor do Estado de São Paulo no Rio de Janeiro vai mais longe, vendo o caso do bicheiro como um iceberg que tem emergido. “Carlinhos Cachoeira já era conhecido da polícia, já tinha sido envolvido em outros escândalos”, lembra. “Além das actividades ilegais tinha uma fachada legal de laboratórios e uma grande rede de interesses. O que não se sabia era a extensão do seu poder de corrupção. A grande surpresa neste caso até agora é a revelação de que dominava um senador com uma forte imagem pública ligada à ética, Demóstenes Torres, então no conservador e oposicionista DEM, uma grande parte dos políticos do Centro-Oeste, a construtora Delta, e tinha influência nos três poderes e em vários outros estados.”

O que é revelador de mecanismos presentes na sociedade brasileira, diz Beraba: “A lentidão da Justiça, a impunidade, a falta de vontade de fazer valer as leis e instrumentos de controle, o sistema político que montámos, que estimula a corrupção política, a sobrevivência de oligarquias regionais – tudo isso facilita o surgimento de grupos criminosos com capacidade de dominar sectores da política e da economia.”

A imprensa mais à esquerda, como a revista Carta Capital, tem destacado ainda outra dimensão deste caso: as ligações de Cachoeira a uma revista tão lida quanto a Veja. Escutas revelam que o bicheiro usou sistematicamente a revista como veículo para denúncias que lhe eram favoráveis. A Veja alega que o Cachoeira era fonte e as denúncias revelantes.

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Sobre ziulfabiano

Filho de pai Argentino e mae Brasileira, vivendo em Madrid e acompanhando o que se passa por aqui e por ali.
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