Marcha das Vadias em várias cidades brasileiras

do Carta Maior

Marcha das Vadias protesta contra machismo e violência

O movimento tornou-se internacional através do Facebook e neste sábado a marcha ocorreu em pelo menos 20 cidades mundo afora. No Brasil, além do Rio, as mulheres e homens também foram às ruas em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Vitória, Florianópolis, Recife e Salvador. No Rio, manifestantes escolheram a orla de Copacabana para retratarem o quanto é difícil a mulher, em pleno século XXI, exercer sua liberdade sem ser vista como objeto sexual.

Rodrigo Otávio

Rio de Janeiro – A Marcha das Vadias reuniu cerca de 600 pessoas neste sábado (26), no Rio de Janeiro, para protestar contra o machismo e a violência contra a mulher. Manifestações similares ocorreram em outras capitais do país.

Este é o segundo ano da passeata, que se originou no Canadá, após um policial de Toronto ter advertido as mulheres a usarem roupas menos provocativas em meio a uma onda de estupros em uma universidade local. Feito o comentário, as canadenses imediatamente denunciaram a canhestra lógica de se culpar a vítima e, com muito bom humor e roupas provocantes, saíram às ruas da cidade em abril de 2011 para defenderem os direitos das mulheres.

O movimento tornou-se internacional através do Facebook e neste sábado a marcha ocorreu em pelo menos 20 cidades mundo afora. No Brasil, além do Rio, as mulheres e homens também foram às ruas em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Vitória, Florianópolis, Recife e Salvador.

No Rio, as manifestantes escolheram a orla de Copacabana, para, com megafones, faixas, fantasias e encenações teatrais retratarem o quanto é difícil a mulher, em pleno século XXI, exercer sua liberdade sem ser vista como objeto sexual pela sociedade machista e patriarcal do país.

“Eu saindo de casa de meia arrastão em um sábado à tarde, os olhares são absurdos, tanto femininos quanto masculinos. Você vê que a sociedade ainda não está acostumada com isso. Meia arrastão é usada no Brasil para carnaval, festa junina ou entre quatro paredes, remete para o fetiche. Então ainda precisamos fazer com que se respeite. Respeite a sua sexualidade, o seu querer, a sua vontade. Contanto que não esteja invadindo o espaço do outro, me deixa no meu espaço, me deixa fazer o que eu quero. É isso que eu acredito, nessa liberdade que eu sou dona da minha vida, do meu corpo, do meu pensamento, sem querer agredir o outro ”, relatou Ágnes Tompa, produtora cultural de 43 anos, à Carta Maior.

Durante a passeata, que começou no posto quatro da praia, houve confusão entre fiéis e manifestantes de topless em frente à Paróquia Nossa Senhora de Copacabana, com direito a spray de pimenta dos policiais, e terminou na porta de uma das delegacias do bairro como “homenagem” ao policial canadense, as manifestantes denunciaram através de cartazes e palavras de ordem o número de pelo menos 13 casos de estupro por dia na cidade, a maioria contra mulheres negras.

Como uma das portas de entrada para esse tipo de crime, as mulheres lembraram a “vocação” da cidade para o turismo sexual e alertaram a necessidade de políticas educativas e punitivas em relação aos grandes eventos internacionais que o Rio sediará até 2016.

MP 557
Outro ponto colocado pelos megafones em meio ao clima carnavalesco em que a marcha se transformou no ensolarado sábado foi o pedido para a presidente Dilma Rousseff revogar a Medida Provisória 557, de dezembro de 2011, que instituiu o Cadastro Nacional de Gestantes. Para as manifestantes, o que parece ser uma monitoração para enfrentar o problema da mortalidade materna na verdade é um vigilantismo e uma criminalização dos corpos das mulheres inaceitáveis.

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Sobre ziulfabiano

Filho de pai Argentino e mae Brasileira, vivendo em Madrid e acompanhando o que se passa por aqui e por ali.
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