Tese de mestrado sobre heavy metal vira livro no Rio de Janeiro

Valeu CKODA pelo toque!!

Tese de mestrado sobre heavy metal vira livro no Rio de Janeiro

Marcelo Moreira

Heavy metal é coisa de acadêmico erudito, só para atazanar a vida de quem acha que roqueiro é alienado. Pois não é que uma tese de mestrado no Rio de Janeiro sobre metal extremo ganhou nota máxima e se transformou em livro? E em livro muito bem escrito e muito informativo, quase um livro-reportagem.

“Trevas sobre a luz – O underground do heavy metal extremo no Brasil” foi editado pela editora Alameda, de São Paulo, e pode ser encontrado na Livraria Saraiva e na Cultura. O autor é Leonardo Carbonieri Campoy, professor da rede pública do Paraná e ex-vocalista de várias bandas de metal do Paraná.

Se existisse uma categoria científica chamada “antropologia urbana”, esta obra seria o melhor exemplo. Campoy consegue traduzir para o mundo real o significa música extrema e metal extremo.

Consegue destrinchar para quem não entende como aquele “barulho brutal” pode ser chamado de música, além de mostrar toda uma estética construída por trás do movimento – agressivo e às violento, em termos sonoros, mas que agrupa uma parcela expressiva de adeptos.

O livro constrói sua argumentação sempre tendo a música como base, mas investiga como foi possível construir uma comunidade no Brasil em torno de um subgênero musical ignorado pela mídia tradicional e execrado pela sociedade conservadora – e nem tão conservadora assim. Afinal, como foi possível prosperar por aqui uma cena que tem por base uma música brutal e a gressiva, originária da Alemanha e da Escandinávia?

A formação de Campoy ajudou bastante na elaboração do texto. Sociólogo, com ampla visão do que significa a antropologia como ferramenta científica, ele não se limitou apenas a mostrar a existência de uma cena metálica extrema: pesquisou o seu surgimento e conseguiu escancarar os detalhes de seu funcionamento.

Não há uma grande preocupação em buscar conclusões definitivas a respeito do assunto. Campoy tenta entender e traduzir como foi possível que o metal extremo, com sua agressividade e peso, atraiu adeptos mesmo abordando temas até então distantes da realidade artística e lírica do meio cultural brasileiro, apoiando-se em um imaginário que estiliza o mal, o abjeto, o horror, a destruição – quando não o satanismo e a negação total da sociedade ocidental atual e qualquer coisa que possa ser ligada à religião e à Igreja Católica.

Coisa de gente esquisita e marginalizada, ou revoltada? Até pode ser em alguns casos, mas Campoy demonstra por meio de muita informação que o heavy metal, extremo ou não, é um gênero que necessita de uma certa dose de conteúdo e de inteligência, ao mesmo tempo em que incentiva o questionamento, a buscar explicações – incentiva o pensamento, estimula o ouvinte a pensar.

Portanto, heavy metal é coisa de academia, de pós-graduação, de doutorado. Coisa de gente inteligente e com conteúdo, ao contrário que normalmente se vê em outros gêneros e subgêneros musicais populares tão apreciados no Brasil. É uma leitura obrigatória para quem pretende entender, de alguma forma, o porquê de o subgênero pesado e agressivo atrair desde crianças e adolescentes até professores e sociólogos.

Leonardo Campoy é bacharel em ciências sociais pela Universidade Federal do Paraná e mestre em sociologia e antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Trevas sobre a Luz” é a dissertação de mestrado defendida no fim de 2008 na UFRJ. Como ela ganhou um prêmio da ANPOCS (associação nacional dos programas de pós graduação em ciências sociais), foi virou livro.

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Sobre ziulfabiano

Filho de pai Argentino e mae Brasileira, vivendo em Madrid e acompanhando o que se passa por aqui e por ali.
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